Esporte com cavalos volta a ganhar relevância entre os goianos

Foto divulgação
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Atraindo público de diversos segmentos, universo equestre inspira estilo de vida, empresariado e até o mercado imobiliário; movimento é impulsionado pela relevância do agro na economia do estado e pela reabertura do Hipódromo da capital

Goiás tem vivenciado um movimento de retomada dos esportes equestres, que voltam a ganhar protagonismo e a atrair diferentes perfis. Tradicionalmente ligados ao agronegócio e à cultura rural, os esportes com cavalos passam por um processo de renovação, ampliando seu alcance e conquistando novos públicos.
Nas últimas semanas, a notícia da reativação do Hipódromo da Lagoinha, em Goiânia, trouxe otimismo para os apaixonados por esse universo. O espaço, que faz parte da história local, deve voltar a receber eventos ligados ao meio equestre, resgatando sua relevância cultural e esportiva para a cidade.


Além das tradicionais corridas, outras modalidades têm se destacado no Estado, como o hipismo clássico, o salto, o adestramento e o concurso completo de equitação, que reúne provas de diferentes habilidades. O hipismo, inclusive, é uma modalidade olímpica consolidada, presente nos Jogos Olímpicos desde o início do século XX. Dividido em três principais categorias incluindo salto, adestramento e concurso completo, o esporte exige técnica, precisão e sintonia entre cavaleiro e cavalo, sendo reconhecido internacionalmente pelo alto nível de competitividade.


O crescimento do interesse por essas práticas também reflete mudanças no perfil do público. Os esportes equestres hoje atraem famílias, jovens e praticantes que buscam contato com a natureza, bem-estar e atividades ao ar livre. Espaços especializados têm investido em infraestrutura, eventos e experiências para atender essa nova demanda, como é o caso da Villa Cavalcare. Segundo a gestora comercial do local, Jéssica Athayde, essa modalidade esportiva vem sendo reconhecido como ferramenta de formação, especialmente entre jovens, com o interesse das famílias impulsionando a entrada desse público e crescimento da participação feminina.


“O relacionamento com o cavalo exige responsabilidade, foco e controle emocional, o que contribui para o desenvolvimento de disciplina, liderança e confiança para crianças e jovens. Além disso, o contato com o animal desenvolve empatia e segurança emocional. Hoje vemos uma presença feminina muito forte em todas as frentes do universo equestre, o que demonstra a expansão do setor”, explica Jéssica Athayde, gestora comercial da Villa Cavalcare, em Goiânia.


Para além do esporte, o segmento se consolida como estilo de vida e mantém uma tendência de crescimento. “Muitas pessoas associam esse universo a uma vida mais conectada à natureza, à família e às tradições do campo. Não é apenas uma atividade econômica, é uma cultura. A valorização genética dos animais, a profissionalização dos eventos e o aumento do interesse pelo agro indicam que Goiás seguirá como um dos principais polos do setor no Brasil”, declara a gestora.


Do esporte à liderança
Esse universo equestre atrai também empresários que encontram no esporte uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional. É o caso da empresária Isabella Martins, que iniciou no hipismo motivada por um desejo de infância e encontrou na prática uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional.
A empresária destaca que, na prática, a experiência vai além da técnica. O cavalo não responde à força, mas à clareza. Por isso, essa relação transforma o esporte em um exercício constante de presença. “Se o animal sente que pode comandar, ele toma o comando. Então você precisa controlar ansiedade e insegurança. Isso exige um nível de alinhamento interno muito grande. E esse momento é como uma terapia. Não tem celular, nem distrações. Você precisa estar 100% focada”, explica.


Os aprendizados se estendem ao ambiente corporativo. O esporte exige leitura de cenário, adaptação e controle emocional, competências cada vez mais valorizadas no mercado. “Aprendi que liderança começa na energia. Minha equipe não responde só ao que eu falo, mas à forma como eu conduzo. Além disso, desenvolvi mais clareza na comunicação, tomada de decisão sob pressão e leitura de ambiente”, afirma.


A analogia com os negócios é direta: “Você precisa saber a direção antes de chegar no obstáculo. Não dá pra decidir em cima da hora. Nos negócios é igual: decisão rápida, mas com estratégia”, completa a empresária.
Estilo de vida​
Para quem já vive o universo equestre há mais tempo, a prática ultrapassa o esporte e começa a fazer parte da dinâmica de vida, diretamente inserido na rotina. Em um ambiente natural, o contato com o cavalo contribui para reduzir a ansiedade, melhorar o foco e desenvolver a consciência corporal. “Para mim, a arquearia montada proporciona uma conexão que nenhum outro esporte oferece. O cavalo tem esse poder de trazer calma e presença. Ele passa a maior parte do tempo em ambiente natural, e isso reflete no praticante, trazendo leveza e paciência, além de ajudar a desacelerar”, afirma a veterinária e instrutora Nina Camargo.


Ela ressalta que o vínculo com o animal exige dedicação e fortalece a confiança ao longo da prática. Além disso, destaca que o esporte trabalha o corpo e a mente de forma integrada. “Não é só montar. Você precisa cuidar, construir essa relação e fazer com que o cavalo confie em você. Além disso, é uma atividade que exige concentração e te coloca no momento presente, o que contribui para a redução da ansiedade e do estresse.”


Novo centro hípico em Goiás
Esse movimento também tem impulsionado o mercado imobiliário do estado. O próximo lançamento da BrDU Urbanismo, por exemplo, aposta em um empreendimento inspirado em ranchos americanos, integrando esporte, lazer e convivência. Ainda em construção, o projeto que promete ser um pedaço do Texas em Goiás, reúne diferentes experiências, do esporte ao convívio social, e é desenvolvido pela BrDU, com expertise em condomínios horizontais, em parceria com a JFG Construtora e Incorporadora, responsável pela estrutura da hípica.


“A proposta nasce de uma demanda clara por empreendimentos que ofereçam mais do que moradia, mas um estilo de vida completo. Esse projeto posiciona Goiânia em um novo patamar dentro do universo equestre”, destaca o CEO da BrDU Urbanismo, Antenor Reis. Com estrutura que inclui cocheiras, redondéis e áreas de treinamento, o centro também incorpora espaços de interação, gastronomia e eventos. “A hípica foi pensada para ser o coração do empreendimento, atendendo desde o iniciante até o atleta, mas também valorizando a experiência do universo equestre no dia a dia”, afirma o sócio da BrDU Urbanismo, Gabriel Fortes.
A expectativa é que o projeto fortaleça a cadeia produtiva, atraia eventos e consolide Goiânia no mapa nacional do universo equestre, não apenas pelo esporte, mas pela experiência completa que o segmento oferece.

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Thais Freitas

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